Projecto Casa Panafricana da Ethiópia

 

 

 1.DADOS DE IDENTIFICAÇÃO DO PROJETO.

 

1.1Título do projeto: Casa Panafricana da Ethiópia

1.2 Nome da entidade: Deug 27

 1.3 Mentores do projeto: Ras Munda Uvé e Isabel Ferreira

1.4 Email deugdeug27@gmail.com

 

2. JUSTIFICATIVA:

 

Pretende-se criar um espaço aberto de debate, partilha e aprendizagens de história Antiga Africana, utilizando os mêtodos mais acessiveis possível para aquisição destes conhecimentos como por exemplo: a arte, as línguas, a cultura, a oralidade, mobilidade e intercâmbios culturais e linguísticos, mas também sobretudo as experiências acumuladas ao longos destes últimos 15 anos no campo social.


 

 

Começando um pouco por contextualizar a Ethiópia, como país escolhido pela implementação deste projecto, em primeiro lugar podemos realçar o ano 1963 quando foi constituida a sede da União Africana em Addisababa.

 

 Nesta altura do acordar da independência Africana, cerca de 40 países africanos independentes se reuniram em Addisabeba sobre o governo Imperial da Ethiópia para lançar o desafio da reconstrução de uma nova Africa livre, soberana e sobretudo pacífica, numa altura em que a Africa toda tinha apenas 250.000.000 de habitantes.


 

 

Portanto, naquele momento estava-se a pensar seriamente o futuro do que o continente seria hoje 6 décadas depois.

 

Continuar a unir e  lutar pela independência política e económica depois de estar cerca de mais 400 anos debaixo do jugo estrangeiro IMPERIALISTA OCIDENTAL era a principal palavra de ordem desta majestoza reunião.


 

 

Todavia, este objectivo não foi conseguido pela falta de verdadeira união e sinseridade de certos líderes Africanos que se deixaram coromper mais uma vez, escolhendo mergulhar o continente em guerras êtnicas ou tribais, religiosos, golpes de estado, crises económicas, politicas e culturais.



 

 

Em vez da africa se levantar, ficou com as mãos estendidas, com os seus povos banhando em mar de sangue, de revoltas e de exploração sedenta dos seus principais recursos.

Os assassinatos políticos dos seus mais honestos lideres foi orquestrado pelas próprias potências colonizadoras, controlando totalmente não só os recursos mas também a própria cultura africana.

 






 


 

Resultado de tudo isso é que o neocolonialismo continuou com mais força até os dias de hoje apesar de todas as promessas de liberdade paz e segurança mundial proferidas nas Nações Unidas e pela própria União Africana e da União Europeia.


 

 

O veredicto foi lançado, e os factos provam a inegligência destes líderes face a irresponsabilidade a partir deste dia.

 

 Também apesar da Ethiópia ser um dos países de maior concentração diplomática do mundo depois da Nova York onde está situada as nações unidas e da Geneva com a organização mundial da OMS, nem por isso o país  conseguiu avançar  neste sublime propósito do reforço dos principais Pilares desta organização a saber: promoção da segurança económica do continente, a paz e a prosperidade aos povos africanos e a sua geração vindoura.

 

Hoje o cenário na cidade de Addis-Abeba, como quase todas as grandes cidades Africanas, prova o que estamos a argumentar: as desigualdades sociais, a pobreza, invasão de crianças orfãos nas ruas, os pobres a pedirem dinheiro,  grandes problemas rodoviários e sanitário, o desemprego juvenil em massa, a poluição ambiental, lixeiras espalhadas, as construções clandestinas emprovisadas com casas de papelão e de chapas metálicas entre uma infinidade de problemas sociais, etnicos e políticos.


 

 

O individualismo, a sede do poder, a resolução do problema quotidiano básico elementar não está a deixar pessoas pensarem consciente no desenvolvimento colectivo.

 

Infelismente todos estes grandes problemas sociais se contrastam nas cidades africanas em geral e Addissaba em particular onde podemos ver parques e hoteis de luxo espalhados por toda a cidade a conviver com uma penútria sem limites.

 





 

 

Mesmo assim,  a história política e cultural da Ethiópia em relação ao continente Africano goza de uma  particularidade excepcional, que nos motiva a levar adiante este projecto tendo em consideração que é o unico país Africano que nunca foi totalmente colonizado pelas potências estrangeiras ocidentais apesar de todas as tentativas de ocupação das suas principais fronteiras.







 

 

Portanto, a nossa principal ambição em levar em diante este projecto se deve sobretudo a consideração e valorização desta força histórica e cultural, que carrega este simbólico país do corno da Africa, mas também deixar o nosso contributo particular com um dos países do mundo que mais recebe refugiados de 26 países em graves crises politicas e económicas.


 

 

A Ethiópia segundo as estimativas e dados oficiais tem cerca de 900.000 refugiados no seu território.

 

Tendo estas percepções, consideramos que é legitimo que os ethiopianos e todos os africanos se posicionem em relação a sua história no que concerne a libertação definitiva do continente Africano para a emergência do Panafricanismo.

 

Esta missão está enquadrada num direito legítimo e indispensável para a valorização da história e pelo respeito pela nossa ancestralidade desde o primeiro dia que começou a desvastação do nosso continente com o comercio transatlântico das famílias africanas e o seu total desanraizamento socio-cultural e espiritual.

 

Não podemos esperar pela Europa, nem América ou a China. É o momento de conscientizarmos sobre a nossa missão fundamental.

 

Da nossa parte o nosso contributo definitivo está a ser a implementação de uma escola aberta ao conhecimento dos nossos ancestrais deixando em aberto colaboração para todas as pessoas do mundo inteiro que acreditam neste caminho.

Esta escola é ao mesmo tempo uma fundação social, cultural, política e ideológica focada na soberania Africana.

 











A base principal do nosso engajamento a esta missão se deve sobretudo as experiências acumuladas no terreno nos últimos 15 nos em trabalhos sociais e culturais em Cabo Verde iniciados em 2010, de onde originou o Movimento Korrentidi Ativista, ou seja a emergência do pensamento Cabralista, do homen que conseguiu levar a queda do império Portugal na África, o Panafricanista Amílcar Cabral, filho da Guiné e Cabo Verde, mas também uma inspiração de todos os brilhantes filhos africanos que pensaram como nós, cujo sangue foi derramado para a nossa liberdade.



 

 




 




 





Importa salientar, que Cabo Verde são dez pequenas ilhas, situada a 450 Km da Costa ocidental Africana perto de Senegal. Históricamente é o país colonizado pelo Portugal onde foi construida a primeira cidade na África pelos Europeus, com o objectivo de se iniciar o processo de colonização Africana.

 





 

 

Homens, mulheres e crianças de todo o continente encontraram a  porta de entrada e saida neste país em direção as Americas e a Europa onde foram despidos completamente da razão humana.

 

Na sequência das mobilizações do nosso movimento surgiu também a Associação Pilorinhu, (2014)  uma Associação Comunitária cujo trabalho de associativismo comunitário influenciou a criação de vários grupos e associações e ativistas em Cabo Verde e no estrangeiro.

 

Este nome Pilorinhu se deve aquela cidade fantasma em Cabo verde no trágico inicio da  exploração do continente Africano e a devastação dos seus impérios.

 

 

 

Pilorinhu, enquanto objecto, é um Pilar,  um instrumento simbólico de tortura e da devastação do homen Africano. Escolhemos este nome com o intuito de provocar uma reflexão sobre este objecto para o conhecimento de todos os Africanos[1].

 


 

 

Depois da emergência destes movimentos sociais citados desde 2010, em 2016 elementos fundadores instalaram-se em Senegal durante  dois anos.

 

Desde contacto com o país do Império Wolof, e do grande pensador e egiptólogo, Cheik Anta Diop, na cidade Dakar deu sequências a mobilidade de artistas entre estes dois países, nomeadamente no ramo da Corte Costura e a concretização do Projecto de instalação do Atêlier artistica de Costura com a Marca DEUG DEUG 65 em Cabo Verde.






 

 

Deug em lingua wolof significa “verdadeiro” e 65 é uma justa homenagem que fizemos para a escola Piloto que surgiu em Guiné no ano 1965 durante a luta pela libertação da Guiné e Cabo Verde.

 

Depois de 2 anos de experiências entre estes dois países a Ethiópia foi o novo destino escolhido em 2018.

 

No país da rainha Makeda e do antigo impêrio Axumita, as experiências no campo social, não só permitiram o desenvolvimento de novos projectos como nos permitiram entrar em contactos com povos ou culturas até então desconhecidos da nossa realidade da costa ocidental Africana.


 

 

Para alêm de contactos permanentes com pessoas de  Cabo Verde e Senegal, concluimos também a instalação de mais uma oficina de Corte Costura Artistíca, baseda especificamente em confecção de bolsas e mochilas com tecidos de diferentes países Africanos na Ethiópia. 

 


 

 

Portanto, o mais novo projecto neste país é a experiência Piloto com 12 crianças e adolescentes, sendo 7 de origem Sudaneza, refugiados, da tribo Nuer de família linguística Nilotilíca, e 5 ethiopianos de diferentes etnias mas com a lingua materna Amarik, a língua oficial da Ethiópia.

 

Desta experiência de aproveitamento de tempo livre durante 15 dias, os principais conteúdos ministrados foram: a origem do café, os Nuers, os grandes lagos e a origem do homem, o islamismo, o cristianismo, a civilização Meroé, Axumita e Cuchites.

 






 

 

Concluindo primeira experiência  chegamos a certeza que é uma oportunidade única na África de trabalhar a sua  história original a partir  no seu próprio contexto, isto é com pessoas que fazem parte de familias antigas e que viveram histórias particulares em todo o continente Africano.

 

Ou seja lançando este desafio da criação desta escola estamos a criar uma oportunidade únida para estas crianças verem os seus antepasados, a sua ancestralidade em vez de sentir homens inferiorizados sem história sem cultura e sem futuro como muitos pensam e já declararam como verdade absoluta.

 

Para nós é a melhor forma de motivar uma geração esquecida, uma geração cujo futuro está altamente comprometido com um sistema deficitário na área social, económica, cultural e política consequências do subdesenvolvimento do nosso  continente.

 

Concluimos que é de extrema importância apresentar um projecto desta natureza inclusiva e consciente para sensibilizar e preparar uma nova geração Africana capaz de responder as principais demandas sociais em vários niveis a saber: a ecologia, a paz entre as etnias, o participação voluntária e comunitária, o cooperativismo, o engajamentos dos refugiados, das crianças e restabelecer a esperança das futuras gerações.

 


 

 

 

 

3. OBJETIVO:

 

Criação de um Centro Social, Pedagógico, Artístico e Cultural Afrocentrado.

 

A Africa tem todas as condições para desenvolver a sua própria visão de desenvolvimento, resolver os seus próprios problemas sociais, ambientais, politicos e culturais.

Para isso é necessário um conhecimento aprofundado e consciente da nossa história; ou seja isto é quem fomos verdadeiramente, de onde viemos e para onde desejamos ir.

 

Durante muito tempo, nos inicios de 1800 as escolas africanas foram conduzidas pelos estrangeiros com interesses apenas em modelar o ensino conforme as suas necessidades económicas e políticas.

 

Os primeiros professores era missionários que tinham como objectivo central endoutrinar a sociedade africana, torna-los doceis aos seus desejos de exploração em todos os níveis.

 

Podemos citar apenas um exemplo paradigmático: o caso do uso das  língua estrangeiras nas nossas escolas e do ensino Africano que é completamente ocidentalizado.

 

Este projecto pretende unir todos os africanos no continente e na diaspora para virem dar o seu contributo para concretização de uma visão Panafricanista, que preocupa profundamente com a soberania Africana na Ethiópia.

As artes, as línguas, os recursos naturais, culturais e artísticos endôgenos deverão ser aproveitados ao serviço de todo o nosso continente.

 

 

4. PÚBLICO BENEFICIADO:

 

Em primeiro lugar queremos beneficiar directamente 12  crianças com idade entre 12 a 18 anos provinientes de 12 famílias.

 

A metade deles são originários do Sudão do Sul, são refugiados de guerra na Ethiópia e falam a língua ofical Amarick, os restantes são Ethiopianos.

 

Para além destas crianças os seus encarregados de educação são envolvidos no projecto de forma progressiva.

 

A comunidade de Bela, uma comunidade subúrbio da capital  indirectamente está associado ao projecto através de mobilização do voluntariado internacional, campanhas ecológicas, formações em diversas áreas artisticas e culturais.

 





 

 

 

 

 

 

 

 

5. DESCRIÇÃO DA AÇÃO OU METODOLOGIA:

 

Como se pode verificar através da nossa página de Facebook, já é a segunda etapa de aproveitamento do tempo livre das crianças durantes as férias escolares.

 

Também o contacto permanente com a comunidade permitiram já o reconhecimento das nossas pretenções ou seja estar mais próximo da comunidade.

 

O atêlier de corte costura já permitiu a formação de um técnico e vários dos adolescentes públicos alvo do projecto já começaram a aprender a trabalhar nesta área.

 

O nosso domicilio familiar pouco a pouco está a ser amelhorado com o suporte deste grupo beneficiado, alargando espaços para agricultura, alojamentos, espaços verdes de lazer, bibliotecas, videoteca, alojamento artístico etc

 

Também já temos disponiveis vários equipamentos para realização de trabalhos artisticos mas também equipamentos de desporto e de lazer para o público alvo inicial.

 

Pouco a pouco através de reciclagem adaptamos novos equipamentos e recupelamos materiais para embelezar o próprio espaço.

 

Já lançamos o apelo publicamente para os voluntários internacionais com o perfil desejado para a concretização do projecto.

 

Considerando que o publico alvo principal está engajado na escola formal pública , o projecto está é mais concentrado durante o intervalo das férias escolares.

 

Nos fins de semanas aproveitamos para atividades comunitárias como passeio ao ar livre, camping, limpeza comunitária, vizitas de espaços históricos, arqueológicos ou artisticos na cidade de Addis Abeba.

 

6. IMPACTO:

Espera-se que no final da primeira etapa haja uma coesão do grupo beneficiário da escola Panafricanista. Considera-se esta coesão como uma consciência do grupo dos objectivos ou finalidades do projecto isto é estudar e trabalhar para que sejam homens e mulheres conscientes e engajados na Luta Panafricana.

 

Eles precisam antes conhecer fundamentos históricos mas também precisam reconhecer a força do conhecimento africano, da união da África, da importância da soberania individual e colectiva.

 

Trata-se de uma progressão rumo a autosustentabilidade do principio ao fim do projecto.

 

O projecto deve partir-se do centro expandir por toda a comunidade e a cidade e atingir os principais organismos públicos e privados.

 

Mas a ideia central é que estas crianças e jovens devem compreender como principais actores dinâmicos desta transformações sentirem-se independentes e responsáveis.

 

Eles precisam saber utilizar todos os recursos que estão no meio que os rodeiam isto é na familia e  na comunidade.

 

Finalizando esperamos que o projecto cause impacto de melhoria do conhecimento extra-escolar nomeadamente no dominio das artes e da história mas concretamente a transformação da vida familiar com aumento da renda, redução dos custo individuais, mais vida colectiva.

 

 

7. PARCERIAS E INTERFACES:

 

A principal parceria que esperamos é uma parceria independente de qualquer organismo económico ou político. A nossa parceria e a sociedade engajada e consciente.

 

As associações locais e internacionais, os artistas voluntários são desde já os primeiros grandes parceiros considerados.

 

O projecto é do financiamento familiar, do resultados das vendas, dos trabalhos artísticos realizados, do investimento do tempo dos voluntariados engajados e conscientes do papel que os espera.

 

Todas as organizações benovelentes são benvindas mas não aceitamos condicionamentos religiosos, etnicos ou políticos.

 

O projecto é dirigido essencialmente para a causa da união Africana como meta primeira e final, a partir da coesão de um grupo com uma missão transparente e responsável.

 

Para o múnicipio ou outras esferas administrativas as portas estão abertas a cooperação sobretudo para a cedência de um espaço mais grande e equipamento para a continuidade do projecto.

 

 

 

 

8. RECURSOS:

O projecto já tem vários recursos materiais e humanos disponiveis. Vamos ver sempre estratêgias de alocar e desenvolver os recursos já obtidos.

 

Exemplo de recursos materiais do projecto:

1.   Espaço em domicilio familiar com jardim, quartos de alojamento, transporte, máquinas de lavar roupas, frigorifico, forno etc

2.   Equipamentos como máquinas de costuras e um workshop

3.   Várias ferramentas para arte

4.   Espaços livre para tendas

5.   Técnicos voluntários na área de sociologia, pedagogia e de costura profissiional

6.   Transporte para voluntários e actividades do projecto

7.   Disponibilidade 100% de alguns elementos fundadores.

 



 

 



 

8.2 Financeiros:

 

Estamos focados no autofinanciamento, derivado de vendas dos produtos de atelier, das doações de amigos e de campanha de crowfounding que pensamos fazer ao longo da promoção do projecto.

 

 

 

 

9. CRONOGRAMA DE EXECUÇÃO:

1 e 2 fase do projecto  concluido em duas férias escolares

Na segunda parte preve-se a realização progressiva de formações em diversas áreas conforme a disponibilidade e conhecimento dos voluntários engajados.

 

10. AVALIAÇÃO:

 

A ideia é autoavaliação dos beneficiários, realização de feiras, publicação de livros e videos documentários com os conteudos ministrados.

Video com depoimento dos encarregados de educação no projecto.

Também gostaríamos de envolver associações locais para participação em sessões de avaliação.

No final do projecto em 3 anos esperamos que esteja criada as condições favoraveis para a criação de uma Fundação com todos os direitos e garantias sociais para a continuidade e independência dos principaís orgão criados.

 

 

 

 



[1] Ver o logotipo da Associação na capa do Projecto.

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